Gauchês (e mineirês) – Parte 1

Chega a ser divertido quando alguém de uma região do Brasil se depara com costumes diferentes de falar de uma outra região. Mas é divertido também descobrir que palavras de uso corriqueiro são na verdade regionais e não serão entendidas fora do Rio Grande do Sul. Os achados do Renato (mineiro) no jeito gaúcho de falar me fizeram criar este item no blog… Aliás, o negócio rendeu tanta coisa que não vou escrever tudo num post só. Vou começar com os clássicos:

  • Capaz: Tu já deve ter ouvido um gaúcho falando “capaz!”. Capaz que não, né?! Naturalmente todo mundo usa a palavra do jeito normal (dizer que alguém é capaz de algo), mas é bem coisa de gaúcho usá-la como exclamação (sozinha na frase), no início da frase “Capaz que…”, na negativa “Capaz que não!” ou no enfático “Beeeem capaz!”. Como o “capaz” se trata de uma ironia, quando dizemos “capaz”, queremos dizer “claro que não, ora se tu vai ser capaz de fazer uma bobagem dessas”, e quando sai um “capaz que não”, queremos dizer “claro que sim, seria um absurdo se não…”. Foi complicado explicar pro meu pai (chileno) o que essa expressão queria dizer…
  • Bah: Não sei como alguém consegue se comunicar por mais de 10 minutos sem soltar um “bah”. Falta emoção, sabe? Se eu não tenho nada pra responder (o que acontece toda hora) as respostas normalmente são “bah” ou “pois é”.
  • Tchê: Outro clássico. Este é multi-uso. Serve pra exclamar, pra chamar alguém ou pra qualquer coisa mesmo.
  • De, te, me: Bom, aqui tenho que dizer que há vários estilos de gauchês. Em Porto Alegre, essas três palavrinhas são pronunciadas como “di, ti, mi”, assim como em boa parte do Brasil. Mas eu, que venho de Santa Maria pronuncio com E, mesmo. Assim, pra mim não tem diferença entre as palavras “de”, “dê” (verbo dar) e o nome da letra D. Se fosse gauchês da fronteira, aí sim! Todas as palavras terminariam com E mesmo! Uma vez eu estava assistindo uma aula (em Porto Alegre) e ouvi a palavra “diária”. Mas não fazia sentido no contexto! Aí eu fui pensar e percebi que na verdade se tratava da expressão “de área” (área de um polígono, por exemplo)… :-D Outra vez estávamos conversando depois do RU da UFRGS (me lembro que estávamos eu, o Cléber e o Chico, talvez mais alguém) e um reclamou que tínhamos pela frente toda aquela “subida discada”. Como assim? Uma fração de segundo depois, percebi que se tratava de “subida de escada”… Eu falo DE! ;-)
  • Tri: Outra clássica expressão gaúcha que não podia deixar de ser mencionada. O tri serve pra enfatizar tudo. O mais conhecido é o “tri legal”, mas ultimamente o tri é usado pra tudo (tri bom, tri massa, tri avacalhado, etc.), menos pro “tri legal” (no programa de rádio Cafezinho, da PopRock, esse fato é freqüentemente comentado…). Ah, existe também a expressão “muito tri”…

Continua…

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5 pensamentos sobre “Gauchês (e mineirês) – Parte 1

  1. Muito boa a tua explicação. Eu converso muito com algumas pessoas de São Paulo e nunca consigo explicar o q significa exatamente essas expressões q usamos….
    Ah e não te esquece q aqui (pelo menos em Porto Alegre), quando vamos comprar aquele tal do pão francês sempre pedimos: “Me dá tantos cacetinhos…” (essa também não pode ficar d fora)…

  2. \o/ Recebi novo comentário! uhu!

    Sim, sim. Eu não vejo nada de mais se a gente for na padaria pedir 3 cacetinhos e 3 negrinhos! hahahahahahaha
    Já em outros lugares… dizem que levariam um baita susto ao ouvir um pedido desses!

    Era pra ter a parte 3, mas acabei escrevendo só 2 partes e deixei o resto arquivado! Assunto sobre isso é que não falta, hehehe.

  3. Acho “muito tri” essa história de ter um vocabulário próprio, mesmo que seja um tanto exótico. Gostei muito da maneira como tu conseguiste explicar essas pérolas!

  4. tipo, meu melhor amigo é de Porto Alegre e ele fala muito essas expressões e eu fico meio perdida..
    ele até falou mesmo em cacetinhos , e eu que sou Piauiense, fiquei suuuuper perdida, aí depois ele foi me explicar :)
    morro de vontade de aprender gauchês, acho o máximo!

  5. SEU JEITO DE FALAR « Vê & Lê

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