Reforma ortográfica (parte 2)

Bom, eu tinha colocado “(parte 1)” no post anterior, então me sinto na obrigação de continuar, hehehe.

Como eu tinha dito, essa história de reforma vem se enrolando há anos. Vi numa edição da Zero Hora um artigo sobre o assunto e desta vez “parece” que vai pra frente, mas esse “parece” também parecia antes, hehehe. Lá encontrei dois pontos de vista, um a favor e outro contra.

O texto a favor, de Mauro de Salles Villar, enfatiza a necessidade da uniformização da escrita entre os países de língua portuguesa. Sem contexto, é uma idéia boa. Mas nos detalhes, simplesmente não dá pra gostar do troço. Pelos seguintes motivos: [1]: Porque as diferenças, ainda que pequenas, vão continuar a existir. Vão trocar 6 por meia dúzia. Ou talvez seja 6 por 5,9999999999991. [2]: Porque o inglês, a língua mais poderosa do planeta (sim, línguas também podem ser poderosas) além de ter uma ortografia tri-ilógica, também tem variações ortográficas entre seus países (color, colour; analog, analogue), então o argumento da importância da unificação perde sua força. [3]: Porque ignora o que eu falei no post anterior: estabilidade da escrita e custo financeiro da transição, e acrescento agora a insegurança que isso gera nas pessoas ao escrever. [4]: Porque, facilitar a ortografia não foi um objetivo, apenas deram uma ajeitadinha que não facilita nada e às vezes complica mais.

O texto contra a reforma, com o qual concordo (e cujos argumentos são a base deste meu texto, hehehe), é do professor Cláudio Moreno. No site dele tem outros textos (e até uma entrevista em vídeo) sobre o assunto. O único ponto com o qual discordo dele é que o melhor mesmo seria eliminar todos os acentos (admitidamente isso causaria outros problemas, mas pelo menos mataria a questão de uma vez, hehehe). Concordo, sim, que se quiserem fazer uma reforma ortográfica, esperem mais um 100 anos e então reformem tudo, tirando, tirando o “u” mudo depois de “q” e “g”, tirando o “sc” e “sç”, e assim por diante (edição: mudei os exemplos dessa possível reforma num futuro remoto). É preferível uma mudança radical ajeitando a casa de uma vez do que ir de pouco em pouco, porque ficar toda hora mexendo nos detalhezinhos é muita confusão. A acentuação continuaria, não sei bem em que forma, pois a atual já é razoavelmente lógica (se você acha que não, talvez tenha faltado o “momento eureka” ou talvez não tenham te ensinado direito, mas que tem lógica, isso tem!). Na minha opinião, certos acentos são mais importantes que certas letras… Por exemplo, o acento de “está” é mais importante do que a letra H de “hoje”, porque o primeiro mostra a pronúncia da palavra, e o segundo é só “estético” (ou melhor, “etimológico”)… Eu odeio quando leio uma coisa e depois tenho que reler porque vi que estava faltando acento e o sentido da frase era outro do que eu tinha pensado…

Outro lugar em que encontrei uma matéria sobre a reforma foi na revista Discutindo Língua Portuguesa, número 8. Lá falam algumas coisas “interessantes” (no mau sentido) sobre a reforma. Diz que os acentos nos “éi, ói e éu” vão cair, a menos que a palavra seja oxítona. Barbaridade! “Herói” e “heroico”? É isso mesmo? Putz. Entretanto, o trema, que é uma das coisas mais fáceis de entender, cairia. Vê se pode. Vão mudar as confusas regras do hífen? Bah, nem decorei as antigas ainda. Isso que eu gosto de português. É porque não encontrei lógica nas regras do hífen (ao contrário da acentuação, onde entendo a lógica). Coloco o tracinho sempre que acho que devo e pronto. E aliás, vão mudar como? Sempre falam superficialmente dessa mudança e quase nunca dizem o que é que muda mesmo. Dizem que a nova ortografia seria “paraquedas” em vez de “pára-quedas” porque a palavra “perdeu a noção de composição”. Nesse exemplo até fica melhorzinho (na minha opinião), mas não citam exemplos suficientes! :-o

Acho que esse pessoal deveria ir reformar a ortografia do inglês (que tá precisando), e quando terminarem poderiam vir com essa do português, hehehehehehe.

Reforma ortográfica (parte 1)

Parece que o pessoal (no caso, o Ministério da Educação, a Academia Brasileira de Letras, a Academia das Ciências de Lisboa e sei lá mais quem) gosta mesmo de reformar a ortografia do português. Acordo ortográfico em 1943. Modificado em 1971. E agora querem fazer mais um, talvez pra algo entre 2008 – 2010 (sendo que os procedimentos começaram lá por 1988 – 1990). À primeira vista, pode até parecer bem espaçado: 28 entre o primeiro e o segundo acordos, e 20 anos tramitando o atual. Mas pense bem. Se os países entrarem em acordo e esta reforma sair do papel, poderemos ter gente que convive(u) com 4 ortografias (os mais velhos), com 3 (como a minha mãe, que ainda coloca uns “chapéus” onde não tem mais, e outras vezes deixa de colocar onde tem por achar que todos os circunflexos caíram), com 2 (todos aqueles que aprenderam a ortografia atual) e finalmente as crianças que aprenderão diretamente ortografia que está por vir. Não é meio demais?

E todos os livros que estão impressos por aí na ortografia atual? Vão ficar com uma baita cara de antiquados… Já imaginaram o gasto e o trabalho? Isso que de vêz em quando eu encontro um livro “não muito nôvo” escrito assim, cheio de chapéus. Como se não bastassem o miguxês e internetês alterando a ortografia a torto e a direito, vão querer mudar a oficial?? :-(

Por mim, este acordo poderia ficar se enrolando por mais 30 anos. Aí sim, talvez seja a hora de colocá-lo em prática. Ou de fazer um melhor (assim ganhamos mais 20 anos de negociações entre os países falantes de português! \o/).

Putz, eu ia escrever muitíssimo mais falando dos detalhes, daquilo que eu li na revista Discutindo Língua Portuguesa, no site do professor Cláudio Moreno e opinando sobre outras coisas… Mas não vai dar tempo, e ficaria muito longo… Depois escrevo mais!

Mais sobre o Esperanto…

Eu nunca fui muito bom em defender as minhas idéias… Se discorda de mim, fazer o quê, eu é que não vou ficar muito tempo tentando te convencer… Deve ser influência do meu pai, que não se contenta que os outros tenham opinião diferente da dele; então eu acabei preferindo ser o contrário.

Mas respeitar as opiniões dos outros não é o mesmo que aceitar qualquer tipo de desinformação. Ultimamente eu tenho ficado bom em falar do Esperanto, hehehe.

Agora até arrisco escrever mais sobre isso. Mas tem tanta coisa boa que já foi escrita, que eu ainda prefiro postar uns bons links do que escrever tudo de novo…

Entrevista no Orkut ( link quebrado… :-( )

E também esta FAQ (atualizei o link)

E mais um blog

Os dois primeiros links são bem divertidos, vale a pena ler pra tirar as dúvidas e, principalmente, pra “rever os seus conceitos”. O outro link fala da desvantagem em que os falantes não-nativos do inglês ficam quando têm que se comunicar em inglês. Isso eu pude ver quando tive que escrever artigos científicos em inglês. Por que a gente tem que se ferrar aprendendo sobre a nossa área de conhecimento E ao mesmo tempo a língua dos outros? Enquanto isso, “os outros”, podem se especializar só na sua área e ter a tranqüilidade de escrever artigos na sua própria língua! Vai dizer que não é injusto? Bom, mais detalhes nos três links acima, hehe.

Aliás, faltou explicar por que eu resolvi aprender Esperanto… Primeiro por curiosidade, somente. Depois achei legal porque é uma língua com muito mais regularidade e lógica, o que se assemelha (muito vagamente) a linguagens de programação, hehehe. Por outro lado, o Perl é exatamente o oposto: uma linguagem de programação, mas com as irregularidades de uma linguagem humana… :-p

Crase – A direção

Por que será que é tão difícil ensinar nem que seja a regra básica da crase? É complicado ver numa universidade (e nas placas nas ruas, e nos panfletos, e nos sites da internet, e por aí vai…) erros como uma mensagem afixada na parede terminando com “À direção”. Se o objetivo fosse escrever algo destinado à direção, destinado ao diretor, aí sim seria com crase. Mas no caso do cartaz na parede que eu vi deveria ser sem, porque a direção é a autora da mensagem, não a destinatária!

Se for ver, existe uma regra supersimples pra entender a crase: À é o feminino de AO, e ÀS é o feminino de AOS (e “ás” é o nome daquela carta de baralho :-D ). Só isso. Só com isso dá pra deduzir um monte de casos… é só pensar. Volta e meia eu vejo uma placa que diz “Use à Marquês do Pombal [nome de rua]. Poxa, se você não diz “use ao”, não escreva “use à”, né?!

(Editando: a placa era pior do que eu lembrava: ela dizia “Use á Marquês do Pombal”. Conseguiram colocar o acento virado. Vê se pode… “Á” não existe!)

Aliás, antes de terminar este post, me lembrei de um caso relacionado. Eu sempre me admiro com as grandes faixas dos supermercados Zaffari e Bourbon em Porto Alegre escritas impecavelmente (algo mais ou menos assim): “De segunda a sábado, das 8h às 23h”. Inclusive com a abreviação certa de “horas” (apenas o h). No site também está assim. Meus parabéns a eles. Em compensação, na única vez que fui no Carrefour, encontrei cartazes dignos de risadas, mal e mal dava pra entender o que eles queriam dizer, de tão ruim que estava o português… Acho que estavam querendo baixar tanto os preços que cortaram custos até nos cuidados com a escrita…

(Editando, alguns anos depois: este é um dos posts mais acessados do blog, então retirei umas interjeições, pontos de interrogação e exclamação exagerados e outras informações sobre alterações que fiz anteriormente. Assim o texto fica mais direto e simples)

Piadas (idiotas)

Eu tenho uma baita dificuldade em memorizar piadas e charadas… Por isso resolvi guardar as que eu ainda lembro aqui: :-P

O que a foca filha disse pra foca mãe? Hello motherfoca!

O que acontece se espremer o papa? Sai o sumo pontífice!

Duas galinhas, chamadas Olga e Célia, estavam num campo minado. Elas comeram dois milhos, uma mina explodiu e tudo voou pelo espaço. Qual é o nome do filme? Dois milho e bum! Olga e Célia no espaço!

Qual é a profissão que dá mais trabalho? A do contorcionista, porque ele trabalha dobrado (essa é do Chico)

Um velho índio e um jovem índio estavam escalando uma montanha. Uma hora, o velho pisou numa pedra que rolou e bateu na cabeça do jovem índio, que estava vindo logo atrás. O velho resolve verificar se não aconteceu nenhum problema:

— Machucou, Filho-do-Vento?

E o jovem índio responde!

— Machucou, filho da puta!

Eu vi! Eu vi!

Hoje (05/09/2007) estava passando no Jornal Nacional uma matéria sobre livros onde tinha umas crianças vendo um livro gigante do Pequeno Príncipe. Também mostraram junto várias outras edições do livro, em várias línguas (estas, em tamanho normal, é claro). E uma delas com o título “La Eta Princo” (pronúncia: La Êta Príntso). Que língua é essa? Esperanto, claro! Eu vi, eu vi! :-) hehehehehe