Recém

Hoje é dia 21, dia de postar no blog!

Depois de algumas coincidências de datas já estou começando até a postar de propósito no dia 21 ou 22, hehehe. E como hoje é sábado e estou com uma ou duas idéias na cabeça, vou aproveitar pra manter a tradição.

Agora, ao assunto principal: por esses dias eu fiz uma descoberta sobre a palavra “recém”. Achei curioso porque a língua é algo que a gente nunca termina de aprender, sempre tem algo mais.

Eu estava conversando com a Adriana por e-mail (também conhecido como MSN-com-baita-delay, usado quando o MSN está bloqueado no trabalho) e usei a expressão “a recém”, que pra mim soa completamente normal… Daí ela disse que isso dói no ouvido, ou melhor, disse que “dói na alma”, que era só “recém” mesmo que se dizia. Nunca tinham me ensinado isso e fiquei pensando se eu estava falando algo do tipo “gostemo” (gostamos) ou “alevantar” (levantar)…

Deixei pra lá por uns dias, pois não sabia como tirar a dúvida. Como eu ia procurar isso na internet ou num livro? Mesmo assim, acabei indo dar uma olhada no dicionário. “Vai que tem alguma pista ou algum exemplo?”. Fui lá e não encontrei a palavra! Ué, está certo que se trata de um minidicionário, mas uma palavra tão comum, “recém”, por que estaria de fora? Fui pra a internet e resolvi uma parte do mistério. Veja você mesmo:

http://www.aulete.portaldapalavra.com.br/site.php?mdl=aulete_digital&op=loadVerbete&pesquisa=1&palavra=rec%E9m

(re.cém)
adv.
1. Pouco antes, recentemente.
[F.: Apoc. de recente. NOTA: Embora no sul do Brasil recém possa ocorrer como advérbio independente, o seu uso mais geral é como prefixo, sempre antes de um particípio, ligado a este por hífen: recém-formado, recém-nascido.]

Putz, eu nunca ia imaginar isso. Eu sempre usei “recém” (quer dizer, “a recém”, hehehehehe) como um advérbio normal, que também pode ser usado como prefixo…Aliás, estou gostando desse dicionário on-line Aulete (portaldapalavra.com.br). Antes eu usava o Priberam (priberam.pt/dlpo), mas como é de Portugal, eu tinha que relevar certos factos :-) No Aulete eu até encontrei a palavra “sampar”, uma palavra que eu nunca tinha visto escrita e estava pensando que só eu usava :-) O dicionário registra mas explica que é regional. Sempre falam dos “bah”s e “tri”s dos gaúchos, mas nunca tinha ouvido falar no sampar

Editando: Agora pensei na possibilidade de se escrever “Há recém”, ou seja, “há (faz) pouco tempo”, “há recém 5 minutos”, “faz recém 5 minutos”, etc. Algum especialista em gauchês por aí pra sanar a minha dúvida?

Editando 2 (postado originalmente como comentário): Achei num dicionário de gauchês que eu vi na banca de revistas a expressão “a recém”. Quer dizer, é regional, mas está dicionarizada, sim; com “a” na frente e tudo! Imagino que isso indica que não está errado!

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7 pensamentos sobre “Recém

  1. Êêê, dia 21! Que excepcionalmente neste mês caiu no mesmo dia da semana do mês passado :P

    Pois é, realmente eu também nunca tinha parado para pensar no uso do “recém”. O Houaiss fala a mesma coisa, que é regionalismo do sul usar recém como advérbio simplesmente. Vivendo e aprendendo! Por isso que é legal quando os amigos nos dão um toque de coisas “estranhas” que falamos!

  2. Achei num dicionário de gauchês que eu vi na banca de revistas a expressão “a recém”. Quer dizer, é regional, mas está dicionarizada, sim! \o/ Imagino que isso indica que não está errado, né?

  3. A expressão é de uso corrente na região sul como forma livre, pois tem sua origem no espanhol “recién” (Adv. do qual derivaram as formas presas dos demais estados) e todos nós aqui do sul sabemos como o espanhol influenciou nossa língua. Eu sou aluno de letras na ufgrs e procurava justamente por pessoas que utilizavam essa expressão como “a recém” ou “arecém” ao invés de Há recém ou apenas recém.

  4. Pois é. Acabo de enfrentar uma polêmica na editora em que trabalho, onde a maioria defendeu a proposta de “a recém” como completamente errado. Fiquei em dúvida, vim pesquisar e achei vocês…
    Se já está dicionarizado, são outros quinhentos e pode ser considerado certo. Mas nem o Houaiss nem o Volp o registra.
    E agora, Aurélios?

  5. Bah, Ane. Agora vou ter que deixar pra vocês decidirem, afinal, além de eu não ter nenhuma certificação na área de línguas, eu seria completamente tendencioso a favor do “a recém”, ou no mínimo o “recém” generalizado (isto é, não só como prefixo). :-)

    • É legal quando uma coisa aleatória que a gente escreve acaba sendo útil pra alguém!

      Vou aproveitar agora para organizar este post, porque deixei como comentário algo que pode ser útil no corpo do texto.

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