Por que aprendi esperanto

Lá por mil novecentos e noventa e pouco, fiquei sabendo do esperanto. Soube que era uma língua construída e fiquei curioso. Não me lembro dos detalhes, só sei que pensei: “Uma língua construída para funcionar como segunda língua para todos os povos? Legal, que idéia genial!! Mas como é que alguém consegue construir uma língua inteira?”.

Como deu pra ver, simpatizei com a idéia logo de cara. Por isso, quando alguém me diz: “Mas não é a língua de nenhum povo!”, eu simplesmente não entendo e fico pensando: “Sim, e daí, qual é o problema?” Na verdade é justamente por isso que ela é mais legal que as outras línguas! Ela é muito mais regular e põe todos os falantes em igualdade, sem dar privilégios aos falantes nativos sobre os estrangeiros. Essa é a diferença.

Quando comecei a usar a internet, uma das primeiras coisas que fiz foi procurar informações sobre idiomas, como esperanto. Aí eu pude responder a minha pergunta “Como alguém consegue construir uma língua inteira?”.

Zamenhof não criou a língua inteira; ele criou um vocabulário básico (umas 1.000 ou 2.000 palavras) importando palavras de outras línguas e criou afixos que permitem montar palavras novas como Lego. A possibilidade de montar palavras ocasiona às vezes que sabemos dizer algo em esperanto mas não sabemos como dizer na nossa língua mãe, tamanho é o poder de expressão. Ele criou uma gramática simples e exemplificou como se montavam as frases. E dali em diante ele disse: “A língua é de todos e eu fui só o iniciador. Cada um pode expandir a língua com novas palavras desde que mantendo o Fundamento.”. E o incrível é que funciona (as novas palavras, obviamente, vêm de outras línguas; elas não são inventadas do nada). A língua não poderia funcionar se dependesse do criador para inventar novas palavras. Atualmente existem grandes dicionários com muitas palavras sobre muitos assuntos, e só uma parte delas foi criada por Zamenhof.

Com o tempo de aprendizado, fui descobrindo novas coisas. Tem até bandas que cantam em esperanto [1] [2], com músicas de vários gêneros (claro que tudo em pequena escala, mas existe) e curso de (X)HTML [6]! É o tipo de coisa que passa despercebida por quem está fora.

Claro que tem coisas que eu não gosto muito no esperanto (várias, aliás), mas que não vêm ao caso agora. Se alguém quiser, faço outro post.

Links:

[1] http://www.vinilkosmo-mp3.com/

[2] http://www.musicexpress.com.br/stilo.asp?stilo=36

[3] Esperanto estas… (em português)

[4] Discover Esperanto (em inglês, mas diz a sabedoria popular que “todo o mundo sabe inglês” ;-) )

[5] FAQ (engraçado)

[6] (X)HTML

[7] Artigo no Ciberdúvidas sobre línguas construídas.

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3 pensamentos sobre “Por que aprendi esperanto

    • Pra mim foi útil de duas formas:
      1 – conhecer pessoas, pela internet e pessoalmente (claro que se quiser ser cínico pode-se responder que dá pra conhecer muita gente falando só português :-/ )
      2 – entender melhor a gramática do próprio português e outras línguas.

      Certas coisas difíceis em português ficam evidentes em esperanto. Por exemplo a diferença do “que” conjunção (ke) do “que” pronome relativo (kiu). Eu achava difícil e agora é óbvio. Também ajudou a entender muito mais claramente advérbios e locuções adverbiais (em esperanto pode-se transformar uma locução numa palavra única, ajudando a mostrar que uma locução adverbial é como se fosse um advérbio). Isso talvez seja interessante pra quem ainda está no colégio tendo aulas de português.

      Ainda quero fazer mais um uso do esperanto, que é o Pasporta Servo: hospedagem gratuita na casa de esperantistas de todo o mundo. Quem já fez isso provavelmente seria ainda mais empolgado que eu para divulgar a língua.

      Tem também o idealismo de promover uma comunicação mais fácil, já que aprender uma língua nacional é muito mais frustrante por causa das irregularidades. Pelo idealismo, mesmo que não me fosse útil eu continuaria aprendendo porque eu acho que a idéia é boa e merece ser apoiada. Com o esperanto depois de dominá-lo, a gente se sente “dono” da língua, como se fosse nossa língua mãe; enquanto que em inglês, francês, japonês, etc. parece que estamos tentando falar uma língua que na verdade pertence a outras pessoas e que nós somos apenas visitantes.

  1. Também tive contato com algumas das músicas mais legais que conheço. A música “la danco de la vento”, música instrumental eletrônica com o título em esperanto me levou às incríveis músicas de Andreas Viklund (e seus amigos).

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