Hierarquia das cores

Continuando as curiosidades lingüísticas do post anterior, lembrei que li há algum tempo algo muito interessante sobre cores. Foi no livro Lingvistikaj Aspektoj de Esperanto de John C. Wells. Na época li no livro em papel mesmo, mas agora que encontrei em PDF pude conferir os detalhes para publicar este post.

O livro diz que existem algumas línguas que possuem apenas 2 cores básicas (isto é, sem contar nomes de objetos usados como cores), e elas são sempre preto e branco. Talvez possam ser traduzidas como escuro e claro, mas se perguntarmos quais são as formas mais puras dessas cores, elas corresponderão ao preto e branco.

Nas línguas que possuem 3 cores básicas, a terceira cor é sempre vermelho. A palavra pode cobrir diversas cores quentes, mas o foco é no vermelho mesmo.

As línguas que possuem 4 cores básicas incluem todas as anteriores e acrescentam amarelo ou verde. Se a língua possuir 5 palavras para cores básicas, ela incluirá ambas.

Apenas se a língua distingue 6 cores básicas é que ela vai distinguir o verde do azul, senão ela usará a mesma palavra para essas cores (talvez uzando preto para azuis mais escuros).

A próxima cor é sempre marrom. E depois seguem até outras 4 cores não mencionadas diretamente, mas de acordo com resto do texto devem incluir cores como cinza, rosa, violeta e laranja (reparem que em português já estamos usando nomes de coisas em vez de palavras específicas para cores!).

Interessante, não é?

Link para um artigo mais recente sobre o mesmo tema: http://nautil.us/issue/26/color/why-red-means-red-in-almost-every-language-rd

Maluma e Takete

Duas figuras abstratasSuponha que essas duas figuras tenham nomes, não necessariamente na mesma ordem, “maluma” e “takete”. Qual você acha que se chama maluma? E qual é takete? E se elas se chamassem “kiki” e “buba”, qual seria o nome de cada?

O interessante é que em pesquisas existe uma forte tendência das pessoas, mesmo de diferentes origens, escolherem as palavras com takete e kiki para a forma angular e maluma e buba para a forma arredondada. Bom, pelo menos pra mim funcionou e parece fazer perfeito sentido!

Mais detalhes aqui

http://en.wikipedia.org/wiki/Bouba/kiki_effect

Ou aqui, dependendo da sua língua preferida :-p

http://eo.wikipedia.org/wiki/Efiko_de_Buba/kiki

E, para deixar mais completo, apesar de não ter lido, tem este aqui:

http://psych.mcmaster.ca/maurerlab/Publications/Maurer_bouba.pdf

onde há outras figuras, com nomes como Bamu/K’tej, Goga/Titej, T’kiti/Mabuma para você escolher.

E você? Concorda com os nomes? Ou prefere chamar a figura arredondada de takete?

Arquitetura orientada a plugins

Uma coisa que tem me incomodado ultimamente são certos programas e frameworks tão orientados a plugins que não fica claro o que o núcleo realmente faz. O núcleo acaba parecendo algo que não faz nada e é apenas um contêiner para plugins. Na verdade isso nem seria exatamente um problema se fosse apenas a arquitetura interna. O problema é quando isso acaba afetando a documentação e a forma de uso:

No caso da documentação, o usuário novato vai lá tentar entender como funciona ou talvez só queira ter uma idéia de para que serve o negócio e não encontra nada, só coisas como “framework completo de desenvolvimento”, “facilita sua vida”, “arquitetura modular”, “integração com os padrões da indústria”. A parte interessante fica mesmo nos plugins… Se é assim, não poderiam ser bibliotecas separadas?

No caso da forma de uso, o usuário se depara com um esqueleto de um programa, que faz menos do que o esperado e para tudo precisa instalar um plugin, cuja qualidade é garantida (ou não!) por terceiros, e reiniciar.

E uma combinação interessante: quando, para evitar o problema acima, o download básico do programa já vem com vários plugins junto! Isso afeta usuários como eu, que tentam ler a documentação primeiro, e não percebe que várias coisas marcadas como “plugins” são na verdade parte da instalação básica.

Exemplos concretos? Maven, Struts 2, Eclipse, Spring (nunca usei), Gnome 3 (também nunca usei — mas o Linus Torvalds reclama justamente disso: todos os recursos que ele quer são plugins fora da instalação básica). Claro, cada um com suas peculiaridades, não quer dizer que esses projetos tenham todos esses problemas, às vezes é só uma incomodaçãozinha com a estrutura da documentação.

Klingon e Quenya

Vi hoje um curso multimídia de Klingon na livraria Saraiva do shopping Praia de Belas e um livro muito imponente sobre Quenya na livraria Cultura do shopping Bourbon Country. Se eu não tivesse visto um dicionário de Esperanto na mesma livraria Cultura umas semanas atrás e outro dicionário de Esperanto na Saraiva do Iguatemi, eu teria ficado muito bravo: até Klingon e Quenya?? hahahaha. Mas no fim eu achei foi ótimo. Quanto mais variedade melhor: que se abra cada vez mais espaço para Esperanto, Klingon, Quenya, Lojban e todas as outras centenas ou milhares de línguas construídas que existem. Afinal, quem disse que só inglês, francês, espanhol, alemão e italiano são “lernindaj”? (para usar uma palavra em Esperanto, hehehe)