Você está sendo enganado

Parece que é inevitável. Está em tudo que é lugar. Uma notícia com meias-verdades aqui. Outra, meio copiada, omitiu a metade verdadeira (faça as contas e veja o que sobrou). Uma opinião convicta (mas errada) de um anônimo aqui. Outra opinião convicta (também errada) de alguém importante ou formador de opinião ali.

Pensei neste post “você está sendo enganado” há alguns anos, aí por 2009 quando entrou a atual reforma ortográfica (para vocês verem o atraso que há entre surgir uma idéia e virar post neste blog…). Naquela época, saíam várias matérias rasas sobre a reforma, dizendo que ela era para “unificar o português”, e que o português era a única grande língua sem um padrão único internacional (só esqueceram o inglês, que até onde sei não tem uma academia reguladora e tem diferenças como neighbor × neighbour, e mesmo assim é a língua mais estudada do mundo — só não sei se é a mais aprendida, hahaha).

Como era um assunto que me interessava, li o texto da reforma. O próprio; sem intermediários. Encontrei nele, e em sites especializados, coisas que não se encontravam nas matérias rasas repetidas aos quatro ventos. E pude formar minha própria opinião (tá, tudo bem, eu já tinha uma tendência a ser contra, o que só se confirmou depois de ler). As “unificações” entre Brasil e Portugal eram minúsculas. E outras diferenças surgiam ou se mantinham, porque não eram conciliáveis ortograficamente. É como trocar uma ortografia 93% igual por outra 96% igual entre os países. Sem tratar as complicações que realmente atrapalham a gente. E criando o problema do que/qui/gue/gui, que de acordo com a reforma podem ser pronunciados de duas maneiras cada sem que haja qualquer indicação escrita. Completo desperdício de tempo e energia. Um texto incompleto, cheio de “etc.”, omitindo informações essenciais (esqueceram de mencionar o prefixo re na regra do hífen, entre outras esquisitices). Algumas partes eram tão ruins que até hoje tenho certas dúvidas se aquele era realmente o acordo completo.

O ponto a que quero chegar na verdade não é sobre ortografia: se até num caso desses, que não é nenhum grandioso acontecimento político, as informações já chegam a nós distorcidas, sem referências confiáveis, imaginem em situações mais importantes? Por acaso eu tenho interesse suficiente sobre questões do idioma para correr atrás e a internet deixa isso bem mais fácil. Mas e outras coisas mais sérias que estão acontecendo por aí, como os protestos pelo Brasil sobre o transporte público e outros assuntos (obras da copa, PEC 37, estatuto do nascituro, etc.)? Quantas pessoas ficam apenas nas notícias mastigadas e digeridas sem acessar consultar informações mais precisas? Quando surge um projeto de lei importante, quantas pessoas da população realmente leem-no por inteiro antes de sair dando opinião? Eu tenho admitir que por enquanto só tenho paciência de ler algumas especificações de linguagens de programação e sobre a reforma ortográfica que já mencionei. Mas estou treinando para ler outras coisas também, e quem sabe tirar proveito dos dados abertos e da lei de acesso à informação. Se as notícias viessem mais freqüentemente com um link “leia o texto completo da lei aqui” ou “veja todas as estatísticas aqui” seria mais fácil, e bem melhor do que o supercomum e implícito “isto é tudo que você precisa saber, confie na gente”.

(A fazer, num futuro não especificado e que talvez nunca ocorra: colocar aqui alguns links com fontes importantes de informação, para não deixar este post com o mesmo problema que eu critico… Pelo menos um já vou deixar desde agora: apesar de não ser exatamente o texto oficial do acordo este PDF contém o acordo com várias notas extras que são até boas para mostrar a quantidade de lapsos que havia no original)

(Ah, sim, também não quero dizer que textos de opinião não sejam importantes, eles são. Mas quando um diz que a reforma ortográfica é boa porque vai unificar o português e outro diz que não unifica nada, o que sobra é ler o original e ver quem está falando a verdade)

Edição: Tirinha relacionada, A profecia: http://ryotiras.com/?p=3624

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Músicas que nunca ouvimos inteiras

Existem algumas músicas que tocam muito em vinhetas, comerciais, filmes, programas de rádio e televisão, e quase nunca são tocadas inteiras por aí que acabamos até achando que elas são só aquele trecho mesmo. Se a música (ou o trecho) for instrumental, fica ainda mais difícil descobrir o nome dela (pelo menos antes da internet e antes dos aplicativos identificadores de música)

Até que alguma rádio de vez em quando resolve tocar a música inteira, ou você descobre de outro jeito qualquer e se surpreende que existe uma música inteira além daquele pedaço!

Exatamente quais músicas são essas vai depender da pessoa e do que ela assiste e costuma ouvir: para uma pessoa pode ser óbvio que X é um pedaço de uma música do Satriani (ou Rush, ou Dire Straits, ou…), Y é um trecho de uma música do Jean Michel Jarre (ou Kraftwerk, ou Yanni, ou Vangelis, ou…) enquanto que para outra pessoa os únicos artistas que existem são os que aparecem no Fantástico… Então vou postar aqui uma lista de músicas que foram grandes descobertas para mim (algumas nem devem ter sido trilha sonora de nada, mas para mim foram grandes descobertas). Espero lembrar das principais, se não lembrar, vou editando este post mesmo. Talvez eu ponha links no futuro.

  • Melissa Manchester – Thief of Hearts (música do “Garota Verão”)
  • Joe Satriani – Summer Song (deve ter sido tema de algum programa de TV que não lembro mais…)
  • Jean Michel Jarre – Rendez-Vous 4
  • INXS – Devil Inside (tocava de fundo num programa de rádio… que tocava outras músicas na sua programação e nunca essa…)
  • a-ha – Stay On These Roads (talvez Take On Me para algumas pessoas, mas essa já é óbvia demais — Stay On… é menos conhecida e eu acho que tem a mesma capacidade de ficar no inconsciente das pessoas, haha)
  • Era – Ameno (a versão Remix eu acho que é mais conhecida que a original! Pra dizer a verdade, chega a parecer que os nomes são trocados, porque a original parece muito mais um “recorta-e-cola” do que a remix!)
  • America – Sister Golden Hair (grande descoberta que já mereceu um post neste blog)
  • The Housemartins – Build (a música do “pa-pa-pa-papel”)
  • Elbosco – Nirvana
  • Cyndi Lauper – The Goonies R Good Enough
  • Enya – Anywhere Is
  • Mark Knopfler – The Long Road
  • The Prodigy – Mindfields (uma das músicas das provas do “Curtindo uma viagem” do SBT)
  • Offspring – Come out and play
  • Secchi Pres. Oscar – Voyage Voyage mix. Children (Robert Miles)(mencionado aqui só por causa do mix com a música Children, que me parece ser menos conhecida)
  • Harold Faltermeyer – Axel F (não me venham com Crazy Frog, esta é a original do “Um Tira da Pesada”)
  • Peter, Bjorn and John (feat. Victoria Bergsman) – Young Folks

E aí, alguém tem alguma a adicionar? Ou alguém encontrou algo interessante que não conhecia na minha lista? Foi um pouco difícil filtrar a lista para não incluir (muitas) músicas “só porque eu gosto e são pouco conhecidas” (ou eu deveria incluí-las?)