É de família…

Pelo jeito é mal de família… Todo mundo troca nomes e mistura palavras na minha família. Abaixo uns exemplos (adaptados) das coisas que ouvi neste natal e algumas coisas mais antigas.

  • Oscar Nei-máier (Oscar Niemeyer)
  • Aquelas arvorezinhas… Banzai… Ah, não… É bonsai!
  • Aquela banda… A Guinness and Roses (Guns and Roses)
  • Em Porto Alegre tem aquele… o Trensúber (Trensurb)
  • Tu come sempre essa comida rabuscada? (rebuscada) Pra piorar, eu ouvi rabiscada
  • Nem li aquele livro Mary e eu… Como é que é? Marley e eu!
  • E aquele político, o Michel Tâmer (Michel Temer)
  • Eu vi no programa do Oscar Mesquita (Otávio Mesquita)
  • Quer que eu chame um táquis? (táxi)
  • Eu tava ouvindo a rádio Pópi Rópi (Pop Rock)
  • Vou ver uma sarge na internet. Como é que é? Sarge? Charge? Ah, vou ver no Youtube mesmo!
  • No tapete do teu quarto está escrito Rok enrou (essa foi por escrito)
  • “Pedra” em inglês… Deve ser “rolling”, por causa dos “Rolling Stones” (bom, tinha 50% de chances de acertar qual palavra era “pedra”… e errou)

Misinterpretações

Eu acho que o prefixo mis é muito útil e poderia ser usado em português. Por exemplo, eu frequentemente (e aí, uso trema ou não uso?) misinterpreto algumas frases com resultados engraçados. Tanto é que desde que eu criei este blog existe a categoria “Diálogos bizarros”, porque eu sabia que volta e meia eu ia ter algo pra postar sobre isso.

Caso 1:

— Olha, são marrecos!

E eu (em pensamento):

— São Marrecos? Que santo é esse?

 

Caso 2:

— Imagina se eu tivesse nascido 100 anos antes!

E eu (em pensamento):

— Se tivesse nascido sem ânus?

Mas quando ouvi a palavra “antes”, fiz reparse na frase e entendi.  Ainda bem que ele não disse “100 anos atrás”, hehehehe :-D

Como me confundir

Listo aqui algumas maneiras de me confundir. Vocês vão ver que não é difícil. :-)

1. Use a palavra não quando na verdade você quer dizer sim. Por exemplo, eu começo dizendo:

— Então, posso deixar que tu implementas isso?

Não, pode ficar tranqüilo que eu implemento.

Resultado: Posso ficar tranqüilo? Não?

2. Use gírias contraditórias.

— Qualquer dúvida, prende o grito.

“Prende o grito” ou “solta o grito”?

— Hmmm… Solta o grito então, hehe

3. Use palavras começadas com “des” que não são antônimos de respectivas palavras sem o “des”. Por exemplo: despir (deve ser o contrário do verbo pir, né?), desportivo (deve ser o contrário de esportivo, não é mesmo?)

Bônus — conjugação do verbo pir. Análoga à conjugação do verbo rir.

Presente:

Eu pio, tu pis, ele pi. Nós pimos, vós pides, eles piem.

Futuro:

Eu pirei, tu pirás, ele pirá. Nós piremos, vós pireis, eles pirão.

É, acho que eu pirei. :-P

Recém

Hoje é dia 21, dia de postar no blog!

Depois de algumas coincidências de datas já estou começando até a postar de propósito no dia 21 ou 22, hehehe. E como hoje é sábado e estou com uma ou duas idéias na cabeça, vou aproveitar pra manter a tradição.

Agora, ao assunto principal: por esses dias eu fiz uma descoberta sobre a palavra “recém”. Achei curioso porque a língua é algo que a gente nunca termina de aprender, sempre tem algo mais.

Eu estava conversando com a Adriana por e-mail (também conhecido como MSN-com-baita-delay, usado quando o MSN está bloqueado no trabalho) e usei a expressão “a recém”, que pra mim soa completamente normal… Daí ela disse que isso dói no ouvido, ou melhor, disse que “dói na alma”, que era só “recém” mesmo que se dizia. Nunca tinham me ensinado isso e fiquei pensando se eu estava falando algo do tipo “gostemo” (gostamos) ou “alevantar” (levantar)…

Deixei pra lá por uns dias, pois não sabia como tirar a dúvida. Como eu ia procurar isso na internet ou num livro? Mesmo assim, acabei indo dar uma olhada no dicionário. “Vai que tem alguma pista ou algum exemplo?”. Fui lá e não encontrei a palavra! Ué, está certo que se trata de um minidicionário, mas uma palavra tão comum, “recém”, por que estaria de fora? Fui pra a internet e resolvi uma parte do mistério. Veja você mesmo:

http://www.aulete.portaldapalavra.com.br/site.php?mdl=aulete_digital&op=loadVerbete&pesquisa=1&palavra=rec%E9m

(re.cém)
adv.
1. Pouco antes, recentemente.
[F.: Apoc. de recente. NOTA: Embora no sul do Brasil recém possa ocorrer como advérbio independente, o seu uso mais geral é como prefixo, sempre antes de um particípio, ligado a este por hífen: recém-formado, recém-nascido.]

Putz, eu nunca ia imaginar isso. Eu sempre usei “recém” (quer dizer, “a recém”, hehehehehe) como um advérbio normal, que também pode ser usado como prefixo…Aliás, estou gostando desse dicionário on-line Aulete (portaldapalavra.com.br). Antes eu usava o Priberam (priberam.pt/dlpo), mas como é de Portugal, eu tinha que relevar certos factos :-) No Aulete eu até encontrei a palavra “sampar”, uma palavra que eu nunca tinha visto escrita e estava pensando que só eu usava :-) O dicionário registra mas explica que é regional. Sempre falam dos “bah”s e “tri”s dos gaúchos, mas nunca tinha ouvido falar no sampar

Editando: Agora pensei na possibilidade de se escrever “Há recém”, ou seja, “há (faz) pouco tempo”, “há recém 5 minutos”, “faz recém 5 minutos”, etc. Algum especialista em gauchês por aí pra sanar a minha dúvida?

Editando 2 (postado originalmente como comentário): Achei num dicionário de gauchês que eu vi na banca de revistas a expressão “a recém”. Quer dizer, é regional, mas está dicionarizada, sim; com “a” na frente e tudo! Imagino que isso indica que não está errado!