Ridindaĵoj – Reformemuloj

Ĉiu esperantisto jam pensis/legis/debatis pri reformo, ĉu ne? Kaj ĉiuj aliaj timas pro atenco kontraŭ la stabileco de la fundamento. Tamen, kie estas esperantistoj, tie la temo reaperas.

Se ne eblas eviti proponojn de reformoj de Esperanto, oni povas amuziĝi per ili. Eble el ridindaĵoj aperos bona ideo. Aŭ eble la ridado fosos la tombon de iuj reformoj…

Kiel ĉiuj ni scias, Esperanto havas la finaĵon -n, por marki vortojn en la akuzativa kazo. Kaj tiu finaĵo estas ofte forgesata kaj misuzata de multaj homoj. Tamen, aliaj homoj (aŭ, nelogike, la samaj) tiel enamiĝis de akuzativo, ke ili trovis neakcepteble ke kelkaj frazoj ne havas la finaĵon -n ie ajn, malgraŭ la transitiveco de la verbo.

La ne-esto de la finaĵo -n povas okazi pro pluraj kialoj:

  1. La objekto ne estas Esperanta vorto.
  2. La objekto ne akceptas la finaĵon (iom, multe, pli, ambaŭ, unu, ktp.)
  3. La objekto estas subfrazo, titolo de verkaĵo, citaĵo, ktp.

Do, por solvi la situacion 1 (kaj foje 2), ili proponis novan prepozicion: na. La fakto ke la situacioj 3 ankaŭ ekzistas kaj kreos ne-necesajn kaj strangajn esprim-manierojn, kiel “na ke” kaj “na na” ne malhelpu reformemulojn.

Tamen, oni forgesis ke ekzistas alia grava finaĵo en Esperanto, la pluralo: -j. Do, kiel oni faru se oni volas diri ke oni legis du librojn de Harry Potter sen uzi la vorton “librojn”, kiu estas la nura ero kiu subtenas la finaĵon -jn?

Pro tiu gravega kaj neakceptebla manko de la lingvo, kompreneble oni devas uzi novan prepozicion: ja. La fakto ke tiu vorto jam ekzistas ne malhelpu reformemulojn.

La frazo do fariĝas: Mi legis ja na du Harry Potter. Tio estas multe pli logika! La fakto ke tiu ja estas nekomprenebla de ĉiuj jam ekzistantaj esperantistoj ne malhelpu reformemulojn.

Tamen, oni forgesis ke ekzistas alia grava frazrolo, krom la objekto: la subjekto, kaj ĝi ne estas markata.

Pro tiu gravega kaj neakceptebla manko de la lingvo, kompreneble oni devas uzi novan prepozicion: ka.

Estas tute evidente, ke “na” ne estas sufiĉa. Ofte okazas, ke la subjekto de frazo ne estas klare indikata:

1. Ĉu vi volas tiun libron, aŭ tiun ĉi?
Ambaŭ ni volas.

2. Ĉu vi volas libron, aŭ ŝi volas ĝin?
Ambaŭ ni volas.

Estas tute klare, ke “na” ne povas helpi tie. Do mi proponas novan prepozicion, “ka”, por indiki la _subjekton_ de frazo:

1. Ĉu vi volas tiun libron, aŭ tiun ĉi?
Na ambaŭ ka ni volas.

2. Ĉu vi volas libron, aŭ ŝi volas ĝin?
Ka ambaŭ ni volas.

Ka mi rekomendas, ke ka tiu nova prepozicio, ka kiu klare estos tre utila, estu ekde nun amplekse uzata. Ka tio certe evitos na multaj problemoj pri miskomunikado.

— de Vítor De Araújo

La fakto ke ka estas nekomprenebla de ĉiuj jam ekzistantaj esperantistoj ne malhelpu reformemulojn.

Tamen, oni forgesis ke ekzistas alia grava frazrolo: la predikativo.

Pro tiu gravega kaj neakceptebla manko de la lingvo, kompreneble oni devas uzi novan prepozicion: pa.

Ka mi rekomendas na, ke ka tiu nova prepozicio, ka kiu klare estos pa tre
utila, estu ekde nun pa amplekse uzata. Ka tio certe evitos ja na multa
problemo pri miskomunikado. Kaj ka Esperanto fariĝos pa multe pli klara lingvo.

Li farbos la blankajn domojn flavaj
fariĝos pa:
Ka li farbos ja na la blanka domo ja pa flava.

Ka tio ŝajnas al mi pa tre logika reform-propono. La fakto ke pa estas nekomprenebla de ĉiuj jam ekzistantaj esperantistoj ne malhelpu reformemulojn.

Se ka vi volas ja na pli da ja informo, bonvolu komenti tie ĉi. Ka mi imagas na, ke ka vi ĉiuj amos ja na ĉi tiu propono.

La fakto ke la rezulto kun ĉiuj proponoj kunaj aspektas kiel tute nova lingvo ne malhelpu reformemulojn, ĉu ne? Kiun problemon povus krei kelketaj novaj prepozicioj? /ironio

Rimarko: Ĉu oni devas diri ja ka, ja na, ja paka ja, na ja, pa ja? Ho, ve!

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Simplificação ortográfica para aprender línguas

Ainda lembro quando um professor de inglês (que não era muito bom, em seguida descobri) disse que “não se escrevia” (não deveríamos escrever) a pronúncia das palavras ao lado delas. Duvidei, achei estranho, mas deixei para lá.

Hoje, muito tempo depois, posso afirmar com mais convicção que ele estava errado. Confiar na ortografia do inglês é pedir para aprender pronúncias erradas. Claro que as palavras mais comuns nós aprendemos corretamente, mas sempre fica aquela vontade de aproximar a pronúncia ao que é escrito (principalmente se o estudante aprende mais visualmente). Você pode ouvir “color” com a pronúncia correta, mas ao olhar aquele primeiro “o”, e ao ouvir colegas pronunciando a palavra de maneira aportuguesada, acabamos dizendo “cólor”, quando na verdade uma aproximação muito melhor seria “câlar”.

Esse tipo de coisa eu só fui descobrir depois ao ouvir inglês com pronúncia correta mais freqüentemente e também (aqui vem a surpresa): ao ler postagens em blogs sobre simplificação ortográfica do inglês. Sim, inglês escrito “errado” me fez aprender a pronúncia correta de muitas palavras. Eu leio a pronúncia fonética dos dicionários, mas não para cada palavrinha que encontro, havia muitas que eu pensava já saber ou que poderia deduzir e na verdade não sabia.

Claro que eu fico meio receoso em sugerir inglês escrito de maneiras não convencionais, porque pode causar confusão na cabeça do estudante (e até porque não deve nem existir material de aprendizado nesse formato), mas quem disse que a grafia oficial não causa confusão? Continuo gostando do alfabeto fonético, mas às vezes ele é preciso demais, e dá detalhes irrelevantes para os iniciantes.

Recentemente fiquei experimentando algo parecido com francês. Fico com medo de pegar manias erradas na hora de escrever, mas é muito mais fácil estudar sozinho se eu marcar explicitamente no papel quando “plus” deve ser pronunciado /ply/ e quando deve ser pronunciado /plys/. E também para saber que sans é /sɑ̃/ mas sens é /sɑ̃s/. Quer maneira melhor de fazer isso do que omitindo ou incluindo o S no final? Foi para isso que as letras foram inventadas, ora bolas (liason não mencionada para simplificar o texto).

Apêndice. Você sabia que…

Bomb, comb, tomb, além de terem o B mudo, não rimam?

As palavras debt (dét) e island (áiland) não tinham o B nem o S nem em línguas próximas, nem em formas antigas do inglês? Apesar disso, foram “restaurados” mesmo assim na escrita inglesa por “etimologia”. Etimologia de boteco, diga-se de passagem.

Build, busy, business, minute seriam muito mais fiéis à pronúncia correta se fossem escritos bild, bizzy, bizness, minat (ou minit)? Já ouvi muita gente tentando inserir um som de “iú” nessas palavras (já que esse é o nome da letra U em inglês), mas na verdade esse U está ali só para te enganar. O som é de I mesmo, aqui a lógica não funciona :-(

Money e funny rimam? Portanto money poderia ser escrito munny, mas antigamente alguém achou que ficava muito difícil de ler um monte de tracinhos verticais da seqüência m, u, n, então muitas palavras que deveriam ter “mu” pela lógica, são escritas com “mo”: month, mother, among, monkey. E também: nothing, tongue, come, some, done (estes últimos nem precisavam do E no final, ele só serve para atrapalhar). O fato de que bastaria escrever as letras um pouco mais separadas não deve ter passado pela cabeça dessas pessoas… Casos semelhantes são: color, other, touch, double, couple, mas aqui não sei o que explica o uso de o/ou.

Antigamente o V não existia? A letra U entre vogais era entendido como V. Por isso que, enquanto hat/hate, mad/made, hid/hide seguem uma lógica, have, live, give não seguem e têm um E no final desnecessário. Aliás, sempre que vejo live escrito fico em dúvida se é “liv” ou “live” (laiv), porque os dois existem e são escritos da mesma forma. Também existem várias palavras com ov que hoje poderiam ser escritas com uv: como love e above.

E tudo isso sem nem falar do -ough… Gostaria que o drive-trhu expandisse o uso do thru para todas as situações, porque o parzinho through (lido como thru) e though (lido como tho) — e diferenciados apenas por um R bem escondido — ninguém merece.

Crase – de segunda a sexta

Como um dos posts mais acessados do blog é Crase – A direção, de 2007, resolvi fazer uma continuação com o erro que eu mais vejo por aí.

Escrevem “de segunda a sexta” usando «à» com tanta freqüência que daria para até se confundir e achar que é com «à» mesmo… Se não fosse a lógica :D

Como eu já disse antes, a regra básica da crase é: «à» é o feminino de «ao». Você poderia, se quisesse, dizer:

da segunda ao sábado”

e portanto daí poderia dizer, por analogia:

da segunda à sexta”.

Mas na prática, não usamos da nem ao, usamos dea. Então deve ficar:

de segunda a sábado”

de segunda a sexta”.

Sem crase, portanto.

Note que as horas são um assunto completamente diferente.

das 08:00 ao meio-dia”

das 08:00 às 22:00”

das 08:00 à meia-noite”

Pode parecer complexo, mas é tudo lógico: se puder existir «ao», pode existir «à».

Caetano Veloso e a crase

Já twitei sobre isso, mas é tão curioso que lá vai de novo: Caetano Veloso dá bronca em sua equipe por ‘erro idiota’ de crase. Legal, haha.

Só faltou dizer “Você é burro, cara”.

É interessante que o erro de crase muda o sentido da frase:

“ao Bituca” = Correto, Bituca é o Milton Nascimento, usa artigo masculino.

“a Bituca” = Correto também, não é necessário usar artigo na frente de nomes próprios; serve tanto para o masculino quanto para o feminino.

“à Bituca” = Quem é essa mulher, Bituca? Para quem não conhece o apelido, indica claramente o feminino. Para quem conhece o apelido do Milton, o erro chama mais atenção do que uma espinha vermelha bem no meio do nariz.

Como eu já disse, se você sabe usar “ao”, você sabe usar “à” (*); se você sabe usar “a la” em espanhol, sabe usar “à” em português (*). Não é grego nem chinês :-)

(*) Na maioria dos casos…

Gramática…

Depois de preposições, o correto é usar pronomes oblíquos como mim, ti:

Ex.: de ti, para mim, para ti, etc.

Até aí, tudo bem. Exceto…

Como as pessoas falam Como os livros mandam(*)
Para mim ver Para eu ver
Deixa eu ver Deixa-me ver

Sério isso?

Hmpf. Vou criar minha própria gramática…

Bender do Futurama "With blackjack and hookers"

Bom, eu resolvi deixar para lá e falo: para mim, para eu ver, deixa eu ver (também conhecido como “dexovê”)

(*) pelo menos uma gramática que eu tinha era bem enfática nisso. Não sei se ficaram mais flexíveis ultimamente.

Burrice além de exosférica

(porque estratosférica seria muito pouco)

Alguns tipos de burrice servem muito bem para o humor. Outros tipos são apenas falta de conhecimento, ninguém sabe tudo, afinal. Por isso não se deve sair criticando e chamando todo o mundo de burro porque dali a 2 minutos pode ser que essas mesmas pessoas te deem uma excelente lição de vida.

Mas tem um tipo de burrice que eu não suporto. A burrice que faz uso de frases de efeito e aparentemente bem construídas para transmitir uma ideia totalmente errada e ainda por cima nociva à sociedade.

Exemplos de burrice ultraexosférica e maligna:

Por que perdem tempo e dinheiro com pesquisas espaciais (ou outras) em vez de solucionar os problemas da educação/saúde/pobreza/etc.? [não diga isso perto de mim se não quiser perder toda a sua reputação]

— Diz o sujeito usando satélites, cabos submarinos, computadores, chips, GPS, Google Maps, previsão do tempo, radares de controle de vôo, sistemas de navegação inteligente, carros com controle de tração, tomografia computadorizada, ressonância magnética, medicina nuclear… Carlos Cardoso

Porque avanços científicos precisam de muita pesquisa.

Porque com pesquisa científica podem ser inventados meios de comunicação e transporte para melhorar a educação/saúde/bem-estar/etc.

Porque invenções não surgem de gênios que tiveram um sonho milagroso. Surgem de muita pesquisa, às vezes através de várias gerações de cientistas.

Porque se for seguir por essa lógica ao extremo, qualquer trabalho que não seja direto pela educação/saúde/caridade seria inútil. Você é cartunista, músico, ou esportista? Por que não está neste momento numa expedição na selva para atender comunidades carentes?

Aliás, como você faria essa expedição se não existissem os biólogos, químicos, médicos, físicos, matemáticos, geógrafos, cartógrafos que criaram os remédios, os tratamentos, os meios de transporte, de comunicação, GPS, mapas, etc.?

[Qualquer coisa preconceituosa ou discriminante finalizada com…] afinal, existem regras [ou] afinal, não seria apropriado [ou] afinal, existem leis.

“Existem regras” não é explicação suficiente. “Existem leis” também não. “Não é apropriado”, por si só não significa nada e também precisa ser complementado com um motivo. As regras e leis foram criadas por pessoas, com algum objetivo. E é esse objetivo que procuramos. E se o objetivo das pessoas que criaram as leis não for mais válido? E se nunca tiver sido válido? Já existiram leis absurdas até pouco tempo atrás: http://blog.goodstuff.im/embracing_illegal

[During my lifetime] It was illegal in certain states for married couples, for anyone, to use birth control. [Durante minha vida] Era ilegal em certos estados (dos Estados Unidos) para casais casados, para qualquer um, usar controle de natalidade.

During my lifetime, it was illegal for whites to marry blacks. Durante a minha vida, era ilegal brancos se casarem com negros.

During my lifetime, it was illegal to engage in oral sex and gay sex. Durante a minha vida era ilegal praticar sexo oral e sexo homossexual.

E isso não são coisas de um passado distante, são leis que foram abolidas muito recentemente (ver o artigo original para detalhes).

Então, se você argumenta que “existem regras” para justificar que não ocorra um certo casamento que não lhe agrada (nem vou colocar link para o caso real para me poupar e poupar os leitores), ou “não é apropriado” para proibir esse ou aquele tipo de roupa ou de casamento, você é um babaca, um burro, ou os dois. Entenda o real motivo das coisas, e talvez você descubra que às vezes o motivo nem existe…